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Nascimento


Cada aprendiz, minutos antes, prepara com tecidos ou lençóis a sua cama, ninho ou concha de iniciação. Deixa as roupas preparadas bem ao lado, as quais serão colocadas durante a subida da montanha. Peço que fechem os olhos e falo que todos estão na base de uma montanha. Existe uma trilha, na qual cada participante vai começar sua caminhada. Todos olham para ela e, ao iniciarem a caminhada, passam por um caminho estreito, depois por um riachinho onde um peixe fala : Oi! ...por uma mata molhada, úmida, onde borboletas e pássaros voam, com um vento fresquinho; o sol vai aquecendo às vezes mais forte e outras menos. Vamos subindo, encontramos um paredão de pedra e, sem cordas de proteção, vamos subindo, nos agarrando com as mãos.

Ao mesmo tempo em que estamos subindo, do outro lado, uma outra pessoa vai subindo também. Quem será? Pegue na mão desse estranho-conhecido e passe para o mundo dos clowns...


Imagem: Le Petit Clown, por Julie70
Texto: Ana Wuo

11 comentários:

Rafa disse...

Agora posso observar que realmente nasci...não vejo as coisas como antes....quando entro no mundo de meu clown, vejo o mundo e seus olhos....parece uma transformação mágica......me sinto diferente, o mundo é diferente....como estar em um belo mundo novo...e descobri-lo é bom demais....agradeço aos amiguinhos que nasceram comigo por me ajudarem a ser deste mundo tambem...beijos a todos

mariana disse...

O nascimento foi mágico...quanta alegria naquela dança maluca de olhos fechados, e depois abrimos os olhos para um mundo novo, diferente, divertido,leve e paspalho...
A criação dos nomes, os batizados. A arte ensinando a vida a descoberta de um outro alguém...
Um abraço a todos que estão fazendo parte deste aprendizado!

Picles disse...

Também achei diferente e divertida a dança de olhos fechados, simplesmente porque isso fez com que, mesmo sendo desconhecidos um do outro, nosso grupo criasse um vínculo de confiança e companheirismo. Nascer... pra mim foi uma sensação completamente nova e é estranho pois não entendo de onde vem tanta vergonha. rs

Larissa disse...

Meu nascimento foi...bem express...deve ter sido o mais rápido que já aconteceu no mundo dos clows...
Fiquei um pouco chateada...queria tanto ter participado com todos...
Bom, mas não deu e o importante e que eu a irmã Poca nascemos né?

e eu nasci e já sai por ai sabendo tocar pente! adorei aprender a tocar pente!

Lívia disse...

O meu nascimento foi só alegria, embora eu tenha esbarrado c/ vários irmãos no canal do parto...trombei c vários!!! hehehe
meu clown estava louquinho p vir ao mundo e agora ele está desfrutando dessa vida boa, cheia d novidades =)

Luciano disse...

O Seu Gergelim nasceu sob o céu Porto Alegrense. Na companhia de outros seres iguelmente especias, como ele, nos idos de 2000. Lá se vão 9 anos. Tantas coisas já rolaram e o clown segue, cada vez mais vivo, cada vez mais humano e belo, em mim.
Ana, muitíssimo obrigado por saber me conduzir tão bem pelo caminho, pela subida, em direção ao encontro pessoal que fez de mim alguém melhor.

Ana Wuo disse...

Entre estranhamentos, surpresas e alegrias , nasceram os paspalhos com cara de pastel. Gostei muito dos comentários sobre o encontro com o clown no dia do nascimento: Luciano fala de num encontro pessoal que o fez uma pessoa melhor, Mariana fala sobre a arte ensinando a vida na descoberta de um outro alguém . Loucos para vir ao mundo como disse Lívia, Rafa, Larissa e a nova sensação de estar num mundo mágico. Voces estão cheios de graça!

harley disse...

o surgimento...

enfim, nasceu. Não, não nasceu. Surgiu. Acho que já andava por aí... É, ao mesmo tempo, parte e não-parte de mim (por mais confuso que pareça...).
Acho que me deparei com um ser, nessas andanças da vida, por aí, que pede muito mais que espaço.
O clown NÃO SOU EU (nós usamos um mesmo veículo, eu acho...). O clown quer meu corpo, ele quer um veículo, um meio. Meu corpo é esse meio, essa materialidade. Esse "clown" é legítimo, é um ser legítimo, tem seu ethos. Eu compartilho um mesmo corpo com um outro mesmo-ser...
Porque escrevo isso?
Tentei (e olha que tentei mesmo)atribuir ao clown parte de minha personalidade, mais precisamente aquela parte de que menos gosto, pra que eu pudesse satirizá-la e rir dela, fazer com que outros rissem (Ri melhor quem ri de si mesmo, como diria André Gide...), mas não consegui. Não, não foi um fracasso. Acontece que o clown não gostou muito da idéia... Como é que eu quero dar parte da minha personalidade para algo que já existe, que tem sua própria personalidade, sua própria existência, uma existência que possui uma forma diferenciada da minha de ver o mundo?
O clown divide meu corpo comigo, com minha essência, ao mesmo tempo, é um encontro de essências em que o clown não se importa em ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo com outro ser... Ele até quer dividir com seu semelhante...
Sinto que o clown ainda está se adaptando, ainda está descobrindo como fazer o uso desse veículo da materialidade humana,o corpo. Ele não tem pressa. Até agora, ele não quis falar muita coisa. Ele ainda está medindo,olhando,ajustando, sintonizando...

Ana Wuo disse...

Harley,estou emocionada com seu depoimento tão maduro e construtivo. O clown é uma arte essencial e é para poucos que como vc conseguem observar o próprio corpo num espaço imenso de relações e descobertas. O clown é um estado de graça que faz rir de coisas que nem podemos imaginar. Parabéns , vc já pode confeccionar sua identidade clownesca (IC):Pepidiojoca!

Karine disse...

Nasci naum como os outros, mas de forma rápida, intensa e com a ajuda de fórceps! rsrsrs
(E ainda por cima ganhei uma irmã Poca de brinde q é sob medida!)


Eu me sinto cada vez mais a vontade nas aulas. Vejo como o Clown já estava em mim, esperando apenas o momento certo pra aparecer, se manifestar e descobrir o mundo.

Sair fora do ginásio e aprender o que é cada coisa depois de nascer é tmb uma eperiência fascinante.Existe um olhar sobre o que é desconhecido, o que nunca foi visto antes, dando valor ao que é simples, se surpreendendo com o Novo!

Beijos

Renata disse...

Nasci atrasada, não fui batizada, sou anonima, ou melhor, me tornei a Anomina, mas é justamente do fracasso que nascem os clowns, não?! O clown é um deslocado e assim me vejo quando tranformada, alguém que atrapalhadamente tenta entender a logica de seu ambiente (externo ou interno)e se adaptar do jeitinho que pode.
Quanto à alegria, é o sentimento relacionado à capacidade de lidar bem com as circunstancias, tirando proveito de tudo que elas podem oferecer. O clown é um jeca que se deslumbra com o luxo simples da vida.